Vida passageira

29 de mar de 2011
Bom, dei uma ressuscitada no blog, talvez continue, mas hoje é mais um comentário sobre coisas que aconteceram/tenho percebido essa última semana e eu precisava de mais de 140 caracteres. Não é o estilo do blog, mas acho que vale o desabafo.

Tenho convivido meio que diretamente com a morte esses últimos dias. Primeiro um conhecido meu morreu semana passada. Não era um amigo, era mais conhecido mesmo, tinha 24 anos, nos víamos várias vezes por dia, questões de trabalho. Morreu em acidente, trágico. Ontem meu irmão recebeu 3 amigas aqui em casa, elas são de uma cidade do lado, pegaram o carro da mãe e vieram, dizem que no escondido ja que a motorista tinha 15 anos, no máximo. Bom, algum tempinho depois de irem embora, meu irmão recebe um telefonema. O carro capotou e uma delas morreu, 17 anos, iniciando carreira de modelo. Iniciando a vida.

Mas quero fazer um link aqui. A influência que a internet exerce na morte, ou vice-versa. No caso do meu conhecido, ele "morreu" 3 vezes antes de infelizmente acontecer de verdade. Sem mais nem menos, alguém postava um duvidoso "LUTO" em alguma rede social e aquilo se alastrava, numa corrente mórbida de declarações de amizade. Não vou questionar os sentimentos de ninguém, mas acho, pela minha doutrina, que uma oração ou um pensamento positivo valem mais que um scrap, uma postagem. Mas aí sou eu né?! A menina, até onde eu ví, ja ganhou 3 comunidades. Não vou generalizar, mas parece que há uma necessidade, rola um status afirmar que era "amigo" da pessoa falecida. É uma dinâmica diferente e que eu não entendo.

Bom, mas aí vou abrir o tema para dois casos de alcance nacional. Primeiro o suicídio da modelo e escritora Cibele Dorsa na madrugada da sexta para sábado. Não conhecia nenhum trabalho dessa moça, somente a playboy dela e o livro, que não li, onde conta fatos marcantes de sua vida. E que vida, em grossa lembrança, ela sofreu um acidente, foi espancada na boate com o noivo, que veio a se suicidar, tudo isso em um curto período de tempo. Não vou me alongar na história da vida dela pq ja foi mto debatida desde sua morte. Quero focar mesmo, novamente, no impacto que isso gerou na internet, principalmente no twitter, onde vários "psicólogos" de redes sociais, trataram de julgar e condenar Cibele. Bom, não sou coninvente com drogas ou suicídio, não acho que seja uma válvula de escape, seguindo ainda minha doutrina, temo que o sofrimento do suicida começa quando ela consume o ato. Não precisa entender, basta respeitar. As pessoas acham que fazer piada com uma pessoa visivelmente vulnerável, suicida, com família, é liberdade de expressão. Jogam a culpa no humor negro, no politicamente incorreto. Eu só acho doentio.

Daí hoje o ex-vice presidente da república, José Alencar, morreu vítima de câncer. Câncer esse e suas complicações, que ele lutava há mais de uma década. Também não conheço o histórico de José Alencar na política, acompanhei de longe essa luta contra a doença. Um guerreiro, uma pessoa que merece todo respeito do mundo. Ele e tantas outras que passaram e ainda passam por coisa parecida, pior, ou não. Cada um sabe de sua cruz. Mas enfim, hoje à tarde ele veio a falecer. Daí começou a chover "piadas" que ironizavam justamente a questão pela qual ele merece nossa admiração, sua resistência e fé na vida, em continuar vivo, mesmo contra todas as estatísticas. Esses humoristões disputavam à foice um trocadilho, uma ironia, um comentário... No fim das contas, um mais patético que outro.

Não consigo acompanhar, nem quero, essas pessoas que conseguem rir da morte. E nem tô falando por questões culturais, onde tem gente que faz festa pra encomendar a alma do falecido para outro plano, isso é outro país, outra coisa. Falo de rir, da ironia, da zombação, do pouco caso com o fim da vida. Imagino que essas pessoas não tenham família, nem amigos, ou que sejam imortais, saudáveis. O fato é que a morte tá banalizada. Gente que consegue vibrar com a morte do outro, no fim das contas não é gente. Não é moralismo, é respeito, é bom senso. É enfrentar a morte com dignidade pq nunca sabemos quando pode acontecer com a gente.